Estamos no momento de olhar para as previsões orçamentárias do próximo ano. Portanto, este é um período decisivo em que o planejamento empresarial ganha tração. Além disso, as oportunidades no mercado livre de energia são revisitadas com o olhar cirúrgico na economia e nos ganhos de competitividade e rentabilidade.

Porém, antes de abordarmos os principais pontos desse tema, vamos entender um pouco mais sobre o cenário macroeconômico que nos aguarda em 2022. Ademais, o risco de falta de energia provocado pela crise hídrica se tornou um fator incerto para as empresas. O suficiente para afetar o crescimento econômico, atrasar decisões de investimento e pressionar a inflação.

Política fiscal mais avançada dos EUA impacta desvalorização do Real e reflete em aumento dos juros no Brasil

Como o cenário macroeconômico influencia o planejamento empresarial para 2022

Recentemente, entrevistamos o economista Gabriel Galípolo para o nosso podcast Giro Energia. O especialista avaliou um cenário onde uma parte das atenções está voltada para os movimentos americanos. Entre eles, o banco central dos EUA sinaliza a redução das compras de ativos este ano, caso a economia evoluísse. Além disso, o plano de infraestrutura de mais de US$ 1 trilhão em investimentos do Joe Biden está começando a sair. Nesse sentido, o impacto sobre o fluxo de recursos para nações emergentes e sobre a liquidez global preocupa. Dessa forma, com a política fiscal dos EUA mais avançada, os juros podem cair.

Esse movimento também impacta o Brasil e o planejamento empresarial das companhias com operações em território nacional devem acompanhar esse cenário. Isso porque, a necessidade de prêmio maior lá nos EUA reflete na desvalorização do real e no aumento dos juros de longo prazo. Como resultado, essa redução de liquidez no país afeta os projetos de infraestrutura como um todo. Ademais, o horizonte se torna mais complexo devido à mudança do cenário internacional, que inclui ainda a China em um processo de ajuste de sua economia, o que pode significar um ritmo de expansão menos acelerado. No setor elétrico, a alta dos custos de energia, provocada pela crise hídrica, pressiona a alta da inflação. Esse cenário, portanto, pode comprometer os planos de recuperação da economia após um período crítico em razão da pandemia de Covid-19. 

Planejamento empresarial x planejamento de energia

Com esse cenário à vista, deve-se trabalhar os custos com energia estrategicamente para 2022. Por isso, compreender esse reflexo também se torna relevante no planejamento empresarial, o que ajuda a programar o atual consumo de energia e verificar se ele atende de forma eficiente o consumo para os próximos 12 meses. Caso não seja suficiente, haverá a necessidade de se trabalhar em uma possível contratação extra de energia.  

Para que essa análise seja feita, inicialmente deve-se observar o histórico de consumo do último ano. Depois, corrigir a previsão para os próximos 12 meses com base nas expectativas de aumento ou redução de produção. Além disso, deve-se avaliar as cláusulas de flexibilidade e sazonalização dos contratos de energia.

Deve-se ainda considerar possíveis reajustes do contrato de energia, geralmente impactados pelos índices IPCA ou IGP-M. Caso a energia contratada no último ano não seja suficiente para suprir sua demanda em 2022, é preciso realizar uma projeção do PLD (Preço de Liquidação de Diferenças) para os 12 meses. Também deve-se avaliar se haverá sobra de contratos de energia elétrica. Nesse caso, os excedentes serão valorados à projeção do PLD e podem ser vendidos para gerar receita extra.

Outros custos devem fazer parte do planejamento orçamentário de energia

Na composição de custos de energia no mercado livre, consideramos outras contas como os custos com distribuição, ESS (Encargos de Serviço do Sistema) e EER (Encargo de Energia de Reserva), ambos cobrados pela CCEE. Além disso, somam-se outras taxas, como a da sua gestora de energia. Esse parceiro se responsabiliza pela gestão e pelas negociações de contratos, bem como outras operações estruturadas, que podem gerar ganhos interessantes com energia no médio e longo prazos. Afinal, uma boa gestora de energia, também deve apresentar oportunidades com foco em aumento de rentabilidade. Todos esses valores precisam constar nos cálculos de previsibilidade para que sua empresa tenha bem delineada uma estratégia de contratação de energia adequada ao cenário e à demanda programada no próximo período.

Vantagens do mercado livre de energia para as empresas

De forma geral, é no ambiente de contratação livre de energia (ACL) que as empresas dos mais variados setores têm encontrado diversas vantagens. Por exemplo, economia e previsibilidade orçamentária, que são pilares para o planejamento empresarial. A fim de equilibrar seu orçamento, o mercado livre de energia tem sido uma opção, já que a energia elétrica figura entre os três maiores custos de operação em vários segmentos. Trata-se de um volume financeiro importante e, portanto, deve-se alinhar a estratégia e contratação aos movimentos do mercado. Além dessas vantagens, há ainda a possibilidade de se negociar volumes, prazos, reajustes, flexibilidades e preços no contrato.

Quando se negocia energia elétrica no mercado livre, o consumidor não fica sujeito ao acréscimo de bandeiras tarifárias, que influenciam diretamente no preço de energia cobrado pelas distribuidoras. Ademais, o consumidor livre pode escolher o tipo de energia que deseja contratar. Isso significa, inclusive, liberdade para escolher fontes de energia renovável.  Quando falamos em gasto com energia, falamos em estratégia e inteligência de mercado. Nesse sentido, o planejamento é aliado na busca por assertividade de ações, que podem a fazer diferença na disputa por competitividade. Tendo em vista um cenário atual de maior volatilidade e estresse de preços, torna-se uma ferramenta indispensável e mais do que necessária para definir estratégias de contratação de energia de olho também nas oportunidades futuras.