Nas últimas semanas, o mundo esteve de olho na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26). Lideranças e autoridades de 196 países estiveram reunidas em Glasgow, na Escócia, em meio à expectativa sobre a regulação do Artigo 6 do Acordo de Paris, NDCs mais ambiciosas e comprometimento com financiamento climático.

Tanta atenção não é para menos. O principal evento sobre clima iniciou com alta pressão sobre as nações, que tentam uma retomada econômica pós-pandemia da Covid-19, incluindo ainda o desafio de frear as mudanças de clima a partir de um controle amplo de emissões; tecendo acordos, metas e compromissos que ajudem o planeta a segurar as consequências do aquecimento global.

No Brasil, essas consequências climáticas pegaram de jeito o setor elétrico e hoje enfrentamos a maior crise hídrica dos últimos 91 anos. Com isso, sofrem os preços da energia e os encargos e tributos do setor pesam quase 40% na conta de luz.

Na linha de frente, as empresas brasileiras seguem equilibrando as contas de energia dentro de suas operações com mãos mais firmes do que nunca. Essa pressão impacta toda a cadeia produtiva, incide no preço final dos produtos industriais e afeta a competitividade brasileira.

Caminhando junto com as companhias na busca por soluções, o mercado livre de energia pode ir além no reequilíbrio da oferta e demanda, numa atuação firme para contribuir com a ampliação da matriz energética brasileira ao promover a expansão da oferta e acesso às fontes de energia renovável; um mercado que já mostrou sua força, segue em expansão e colabora para o aumento do uso de energia limpa no país.

Quando pensamos nesses avanços, é inegável o potencial do Brasil para liderar conversas nesse sentido e avançar no uso de energias renováveis no mundo.

ESG e fontes renováveis de energia na ponta da transformação da matriz energética brasileira

De forma ampla, o Brasil tem se destacado diante dos desafios globais de transição energética para uma economia de baixo carbono. Na busca pela adequação aos princípios ESG (Environmental, Social and Corporate Governance), as empresas brasileiras têm aumentado a demanda por certificação e compra de RECs, por exemplo.

Isso sinaliza uma ação mais propositiva com foco no consumo de energias renováveis e um compromisso mais efetivo com a mudança de comportamento energético nas organizações.

Em outubro deste ano, o mercado livre de energia incentivou ainda mais o uso de renováveis: crescimento de 39% em relação ao mesmo mês do ano anterior, 48% de geração de energia das fontes renováveis incentivadas foram realizadas no ACL (Ambiente de Contratação Livre) e 37% do consumo vem de eólicas, biomassa, PCHs e solar, de acordo com o último boletim da Abraceel.

Brasil se destaca na emissão de I-RECs

Os certificados de energia renovável estão entre as fortes tendências para descarbonizar a economia. As emissões de I-RECs continuam a bater recordes no Brasil e, de acordo com dados mais recentes do Instituto Totum, emissor local dos certificados, foram transacionados até o momento 8 milhões. Em 2020, foram 4 milhões. O país figura como o segundo maior emissor do mundo de I-RECs, atrás apenas da China, que deve negociar 15 milhões neste ano.

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A descarbonização da economia é uma tendência

Estudos recentes da consultoria PSR mostraram a importância de uma maior interlocução do setor elétrico com outros segmentos para descarbonizar outras economias. Esse movimento será crescente, impulsionado pelo interesse das empresas em consumir energia limpa e a busca dos agentes do setor elétrico por ativos ESG.

Comparado com a média mundial, o modelo de geração de energia do Brasil é considerado muito limpo e altamente renovável, e a certificação simboliza o compromisso com a redução do impacto de gases nocivos e do consumo de energia.

Isso sem dúvida, coloca-nos em uma posição altamente competitiva. Porém, muitos desafios devem ser superados no setor elétrico nacional. Para que as renováveis ajudem o país a alcançar um novo patamar, mantendo a trajetória de crescimento na expansão da matriz energética, é preciso destravar financiamentos e uma política regulatória estável a longo prazo. Além disso, garantir uma matriz que seja consistente com as demandas ESG  e com preços acessíveis para toda a população é um desafio a longo prazo para todos os países do mundo.