Tudo que você precisa saber sobre o El Niño no mercado de comercialização de energia

Quando ouvimos notícias sobre previsão climática, o principal termo citado nos meios de comunicação é “El Niño”, mas você sabe o que é esse fenômeno? Por que tem esse nome? Quais são os seus impactos no Brasil? Como ele afeta os preços de energia? Qual será o seu impacto em 2017?

O nome El Niño, tem origem do idioma espanhol e refere-se ao Niño Jesus (Menino Jesus). O evento climático foi nomeado devido à presença de águas quentes que apareciam no Norte do Peru na época de Natal e que favoreciam os pescadores. Essa alteração climática proporciona um aumento de peixes na superfície marítima da região devido à ressurgência das águas.

O El Niño é uma das fases do fenômeno climático chamado El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Quando caracterizada pelo aquecimento acima do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, essa fase é considerada positiva (El Niño) e quando o resfriamento for abaixo do normal, considera-se como fase negativa (La Niña).

Essa mudança de temperatura na superfície do Oceano acorre de forma acoplada à mudança na circulação atmosférica e impacta no regime de chuvas do Brasil. Seus impactos dependem muito da intensidade e do período em que o fenômeno se instala. Nos meses de junho, julho e agosto, quando temos o El Niño, a região Sudeste/Centro-Oeste tende a registrar temperaturas maiores do que o normal, enquanto o Sul tende a registrar volumes de chuva acima da média. No entanto, quando temos uma La Niña, para o mesmo período do ano, há tendência de chuvas abaixo do normal na região Sul.

Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, o El Niño tende a aumentar as chuvas no Sul, elevar as temperaturas no Sudeste/Centro-Oeste e reduzir as chuvas do Nordeste. Já na La Niña, nesse mesmo período, as chuvas do Norte e parte do Nordeste tendem a aumentar, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste tende a observar temperaturas abaixo do normal.

Portanto, nos anos em que temos  El Niño, por exemplo, a geração hidrelétrica do Sul tende a ser favorecida e, no Nordeste, desfavorecida no verão. Entre 2015 e 2016 tivemos o último evento de El Niño e esse foi considerado um dos mais intensos já registrados, pois entre Abr/16 e Mai/17 o índice que categoriza esse evento climático, o IOS -Índice de Oscilação Sul, apresentou valores elevados em comparação com o histórico do índice. Nesse mesmo período, a Energia Natural Afluente (ENA), indicador que representa a quantidade de energia elétrica que pode ser gerada a partir da vazão dos rios, do Submercado Sul ficou, em média, 67% acima do normal para o período.

Esse ano as previsões climáticas indicam probabilidade moderada de formação do El niño e os principais centros climáticos apontam que, caso o fenômeno se instale, deve ser de fraca intensidade. Contudo, os modelos climáticos indicam um aquecimento acima do normal da Temperatura da Superfície do Oceano (TSM) e essa condição pode favorecer, pontualmente, as chuvas no sul do País no decorrer do Inverno e da Primavera.