Governo diz que estuda acionar usinas termelétricas mais caras

Objetivo é poupar água dos reservatórios, que estão com nível mais baixo

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse nessa segunda-feira (30) que o governo cogita autorizar o uso de um número maior de usinas térmicas mais caras para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas.

A situação dos reservatórios é considerada preocupante, diante da falta de chuvas, o que levou o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) a passar a se reunir todas as semanas.

Nesta segunda, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste, principal caixa-d´água do setor elétrico brasileiro, estavam com 17,76% da capacidade.

No Nordeste, a situação é ainda pior: com a seca na região da usina de Sobradinho, o maior reservatório da região, o nível do sistema está em 6,15% da capacidade.

Coelho Filho ressaltou que espera “alguma chuva”, mas não descartou a adoção do modelo de despacho de usinas fora da ordem de mérito, o que permite ao ONS mandar ligar térmicas com preços mais altos do que as em operação atualmente.

Se isso ocorrer, o custo adicional será somado à conta de luz no momento da revisão tarifária de cada distribuidora, por meio de aumento no valor dos Encargos sobre o Sistema (ESS), um dos componentes do preço da energia.

Os brasileiros já estão pagando parte da conta da seca por meio da bandeira tarifária, que arrecada recursos para pagar a energia das térmicas. Atualmente está em vigor a bandeira vermelha, em seu patamar dois, cujo valor foi aumentado de R$ 3,50 para R$ 5 para cada 100 quilowatts-hora consumidos.

O ministro disse ainda que o governo negocia para encontrar gás para três térmicas que estão paradas por falta de combustível. Uma é do grupo J&F e teve o fornecimento cortado pela Petrobras.

Fonte: Folha de S.Paulo