Fique atento para as janelas de oportunidade!

Em tempos de crise econômica é esperado que as empresas busquem “olhar para dentro” e identifiquem onde estão as oportunidades para a redução de custos. Muitas vezes é questão de sobrevivência em um cenário desafiador!

Há muitos anos, o Mercado Livre de Energia se apresenta como uma alternativa em que o custo de energia pode ser gerido pelo seu comprador, fato esse que não acontece no Ambiente de Contratação Regulada, no qual as tarifas são determinadas pela ANEEL e reajustadas, no mínimo, anualmente, e nunca com índices conhecidos pelo comprador.

Na minha experiência neste mercado, há mais de 15 anos, sempre digo aos nossos clientes e prospects que, migrar para o Ambiente de Contratação Livre ou Mercado Livre de Energia, significa você deixar de receber uma fatura de energia, olhá-la, verificar se há algum erro de faturamento e mandar pagar, e passar a ter uma maior autonomia de contratação, com todas as características comerciais de qualquer outra matéria prima, contratando quantidade, preço, prazo e características de consumo. Dá mais trabalho? A resposta é sim, mas esse movimento só faz sentido se houver uma projeção de redução do custo de energia que seja representativa no horizonte de contratação.

Conjunturas fazem com que a migração para o mercado livre se torne mais ou menos interessante para o consumidor. Como exemplo cito o fato de, no final do ano de 2015, existir cerca de 1.800 agentes na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e, ao final de 2016, esse número atingir em torno de 6.000 agentes. Os números por si só já demonstram a busca do mercado pela redução do custo desse insumo no período de plena crise econômica no País. Muitos desses consumidores, que fizeram esse movimento, conseguiram alcançar reduções de até 40% no custo de energia, muito em função dos preços do mercado livre estarem bastante baixos, em razão da queda na atividade econômica e da consequente diminuição no consumo de energia.

No ultimo período úmido no Brasil tivemos um dos piores históricos de chuva desde 1931, o que provocou uma recuperação muito tímida dos reservatórios e o consequente acionamento das térmicas para auxiliar no equilíbrio do mercado e no fornecimento de energia durante o ano. Esse comportamento na operação do sistema fez com que os preços do mercado livre tivessem uma elevação muito substancial, mesmo com a atividade econômica ainda muito abaixo do que desejamos, o que provocou, nas análises atuais, uma inviabilização na migração ao se comparar os preços do mercado livre e as tarifas do mercado regulado.

O consumidor deve deixar de considerar essa oportunidade de redução de custos no momento atual? Nosso entendimento é não! O mercado de energia já mostrou no seu histórico que a volatilidade de preços faz parte da sua característica principal e janelas de oportunidades acontecem quando poucos estão preparados, pois o processo de migração exige um prazo mínimo de seis meses para que esse movimento aconteça.

Portanto, o que estamos orientando nossos clientes e prospects é que, independentemente de migrar para o mercado livre de energia agora ou não, é importante estar preparado para as janelas de oportunidade que se abrirão no futuro próximo. Para que não se percam essas oportunidades é fundamental que o gestor de energia esteja com sua contratação formalizada para que seu cliente ou prospect fique no seu radar e aproveite a oportunidade assim que ela surgir.

Como diz o velho ditado, quem chega antes bebe a água mais limpa!