Ecom Energia planeja expandir operações para o Peru em 2018, após consolidação no Chile | Diario Financiero

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No Brasil, a comercialização de energia se concentra em fontes renováveis e, nesse ano, a empresa espera estabilizar a taxa de crescimento de clientes entre 30 e 35%.

Em 1995, quando começou o processo de desregulação do mercado elétrico brasileiro, o governo daquele período tinha a intenção de contemplar também o segmento residencial. Nos anos seguintes, em razão das intensas chuvas, a sobreoferta de energia deu origem à criação de atividades como a comercialização de energia.
Em seguida, com a chegada do ex-presidente Lula da Silva, o processo de desregulação se restringiu ao setor industrial. “Em 2002, com a troca de governo, havia uma visão mais fechada, não acreditavam que seria o sistema mais apropriado para implementar”, ressalta Paulo Toledo, sócio-diretor da Ecom Energia, uma das maiores comercializadoras independentes de energia elétrica do Brasil.

A matriz energética brasileira é composta por hidráulica (70%), térmica (22%) e o restante se divide em eólica – que cresce em uma taxa anual de 30% a 40%-, nuclear e biomassa. O principal gerador é o Estado (Eletrobrás) seguido pelo setor privado (Engie, CPFL, AIES e Duke).

No Brasil, existe a figura dos comercializadores, que compram grandes volumes e vendem pequenas quantidades à pequenas e médias empresas (PME).

Coexistem nesse ambiente, clientes regulados (menores que 500 KW) que pagam a tarifa fixada pela Agência Reguladora e os consumidores livres, que negociam preços somente com geradores ou comercializadores, visto que sua demanda é maior.

Energias renováveis

No Brasil, se a demanda de uma empresa ou instituição oscila entre 500 KW e 3.000 KW e a mesma decide migrar para o mercado livre, a energia elétrica adquirida deve ser obtida a partir de fontes renováveis.

De fato, dos mais de 64 milhões de MWh comercializados pela Ecom no País, 70% dos seus clientes compra energia renovável, e só 30% energia não-renovável, como termoelétricas e gás.

“Temos uma carteira de clientes muito grande e fazemos, para muitos consumidores, a comercialização de energia tanto de fontes renováveis como convencionais”, ressalta Toledo.

Projeções

Durante os últimos oito anos, o crescimento de clientes livres oscilou, anualmente, entre 10 e 15%. Porém, em 2016, essa porcentagem se elevou até 80%, inclusive no contexto de recessão econômica. Para esse ano, a perspectiva de crescimento é de 30 a 35%.

Fora do Brasil, a empresa mira o Peru e a Colômbia, com uma eventual chegada a partir do primeiro semestre de 2018.

“Em 2017, vamos estar com a operação no Chile mais consolidada, então no segundo semestre desse ano vamos começar os estudos voltados para os mercados peruano e colombiano”, estima Toledo.

A chegada à Colômbia dependerá do entendimento que se chegue sobre esse mercado, que consideram mais desenvolvido do que o peruano.

A Ecom já presta serviços de gestão para a suíça Omia nos mercados do Chile, Brasil e Colômbia, e a CMPC no Brasil, mas reporta no Chile.

“A ideia é entregar essa sinergia para as empresas, oferecendo-as, dependendo da onde estejam suas matrizes, a possibilidade de se reportar a um só local, detendo um controle mais simples”, explica Sebastian Novoa, diretor-executivo da Ecom Energia Chile.

 

Contornando Barreiras

A implementação da comercialização de energia enquanto atividade no Brasil, enfrentou obstáculos similares à realidade chilena. As empresas que migravam para o mercado livre de energia deviam dispor de um medidor mais caro, o que afetava clientes pequenos. Esse ano o governo brasileiro mudou a regulamentação e já não é mais necessário fazer esse investimento.

Algumas associações de consumidores foram entendendo os benefícios do mercado livre e pressionaram o governo para flexibilizar um pouco mais a regulamentação sobre o tempo de espera para migrar. Isso resultou em uma mudança na lei e o prazo reduziu de 12 para 6 meses. Paulo Toledo, sócio-diretor da matriz da Ecom Energia afirma que, hoje, no mercado livre, a economia nos preços está entre 15 a 20%, dependendo do tipo de consumo.

Além disso, a gestão do presidente Michel Temer avalia a possibilidade de reduzir o limite para empresas menores, por exemplo, as que possuem demanda contratada de 300 KW. “O governo atual, diferente do anterior, entende que o mercado livre gera competição e é muito saudável para a redução do preço da energia”, destaca o executivo, que aponta entre 18.000 e 30.000 as empresas que hoje não têm possibilidade de migrar, tais como bancos e varejo, entre outros.

“O modelo brasileiro, como está desenhado hoje, pode atender toda a parte industrial e comercial. Nosso Congresso está avaliando a possibilidade de ampliar os tipos de clientes que podem optar pelo mercado livre de energia”, conclui Toledo.