É Teto, é teto!!!!

Conforme abordado no artigo “Acabou o período úmido, e agora?”, entre Nov/2017 e Abr/2018, tivemos uma boa recuperação dos níveis dos reservatórios no Sistema Interligado Nacional (+27% da capacidade máxima), o que representou uma condição mais favorável quando comparado ao ano anterior. Mas se em 2018 partimos de uma condição de estoque mais favorável, por que o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) atingiu o valor máximo (R$ 505,18/MWh) em junho?

Com o final do período úmido de chuvas a partir de abril, em média, as afluências se reduzem em todas os subsistemas, com exceção do Sul, que na média histórica acumula aproximadamente 7 GWm de Energia Natural Afluente (ENA) em seus rios, entre maio e outubro. Nesse mesmo período (mai-out) o reservatório do Sul teve uma elevação média de 21% nos últimos dez anos. Neste contexto é esperado que esse subsistema torne-se exportador de energia para as demais regiões do Brasil nessa época do ano.

De acordo com informações do Operador Nacional do Sistema (ONS), entre abril e junho de 2018, as chuvas registradas nas bacias da região Sul acumularam apenas 66% do que é esperado para esse período.

Os principais fatores meteorológicos que contribuíram para a falta de chuva foram, em primeiro lugar, um menor número de frentes durante esse período. Em 2017 foram observadas 11 frentes passando por Florianópolis, enquanto que neste ano foram observadas apenas 9 frentes. As águas mais quentes do que o normal na superfície do Oceano Atlântico Sul contribuíram para uma permanência menor das frentes frias no continente. Além disso, este ano tivemos atuação de sistemas de alta pressão, que dificultaram a passagem de frentes durante alguns períodos.

O Oceano Pacífico Equatorial também teve sua parcela de contribuição. Nesse ano as águas superficiais ficaram resfriadas e sem grandes variações, que desfavoreceram a chuva de uma maneira geral no Sul do Brasil. Já no ano de 2017 foram observados valores moderados de aquecimento, em torno de 1.5°C acima da média no mês de março e também houve um aquecimento na região mais central, próximo 0.5°C acima da média nos meses de maio e junho.

Com esse cenário em 2018, o subsistema Sul passou a ser importador de energia e deixou de ser peça fundamental na manutenção dos reservatórios do SIN. No mês de abril, o reservatório do SIN estava em 46% da MLT, 6% acima do ano de 2017. Com a redução das chuvas os reservatórios caíram mais rapidamente a atingiram o valor de 42%, próximo do ano anterior.

O mês de julho começou com baixos volumes de chuva e os modelos utilizados pelo ONS não indicam reversão do quadro atual para os próximos dez dias. Com isso, os volumes de chuva podem ficar bastante comprometidos na maioria das bacias para este mês, o que reflete em manutenção de preços elevados conforme indicado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) de R$ 491/MWh (saiba mais!).

Este ano estamos com a perspectiva bem diferente do ano passado. A expectativa é de aquecimento das águas do Pacífico e um possível El Niño para o início do período úmido como indicado por diversos centros meteorológicos do mundo. Historicamente essa configuração pode apresentar um aumento de chuva na região Sul. A previsão para este fenômeno está bastante incerta ainda, algumas projeções indicam um El Niño um pouco diferente do clássico e os efeitos podem ser diferentes do comum.

O acompanhamento constante dessas variantes climáticas e de uma série de outros fatores que influenciam no preço é fundamental para antecipar uma mudança de cenário. A Ecom Energia conta com uma equipe completa de Inteligência de Mercado com meteorologista e hidrólogo possibilitando um maior desempenho em antever os impactos e proporcionar maior resultado para seu portfólio e de seus clientes.