Abertura do Mercado de Energia no México

Por ser a maior economia da América Latina, o Brasil, muitas vezes, centraliza as operações de empresas multinacionais na região. Sendo assim, os gestores têm que se preocupar, não somente, com a dinâmica do mercado brasileiro, como também precisam estar atentos à oportunidades em outros mercados, onde muitas vezes a falta de informação e de conhecimentos específicos fazem com que grandes oportunidades sejam perdidas.

Isso também acontece no setor de energia. Em diversas situações nos deparamos, dentro da nossa própria carteira de clientes, com oportunidades em mercados fora do Brasil que nem sequer estavam sendo monitoradas pelos clientes. A bola de vez é o mercado do México.

Desde que o presidente Enrique Peña Nieto assumiu a presidência do México, em 01 de Dezembro de 2012, uma revolução no setor energético está em curso. A reforma energética, através da abertura de mercado, que tem como principais objetivos atrair o maior número de empresas para investirem no setor, evitar a continua queda de produção de gás natural doméstico e garantir o fornecimento de gás natural para produção de energia elétrica que só aumenta, está possibilitando aos consumidores negociarem seus contratos, tanto de gás, como de energia elétrica, livremente no mercado. Obviamente, uma abertura de mercado energético não acontece do dia para noite, sendo assim, o acompanhamento constante das alterações regulatórias é fundamental para as melhores decisões estratégicas.

Supreendentemente em meados do mês de Junho/2017, o CRE (Comisión Reguladora de Energia) informou que a partir de 01 de Julho de 2017, o preço teto de gás natural da VPM Reynosa seria eliminado, em todo o país, e que os preços de gás natural seriam balizados pelo preço de mercado. A expectativa do mercado era, primeiramente, a abertura na conexão Reynosa (Norte), na qual a principal parte da oferta é feita através de importação dos Estados Unidos, e, posteriormente, ocorreria a abertura no mercado ao Sul, este primordialmente abastecido por produção interna pela Pemex. Como exemplo, no mês de Junho/2017, o preço teto definido era de USD 3,28/MMBtu e as negociações no mercado para contratos futuros, de Julho/2017 a Novembro/2017, variaram de USD 3,06/MMBtu a USD 3,16/MMBtu.

Com essa movimentação, que pegou de surpresa o mercado, e devido ao fim de subsídios e livre concorrência, no curto prazo, a expectativa é de aumento nos preços do gás natural no México, principalmente para consumidores que estão conectados no Sul do País, num primeiro momento, até que ocorra o equilíbrio natural do mercado. Ou seja, existiu uma janela de contratação no mês de Julho/2017 para contratos futuros.

De outro lado, temos a possiblidade de negociações de energia elétrica no mercado mexicano, através da CENACE (El Centro Nacional de Control de Energia), onde posterior à desregulamentação do mercado, o consumidor pode solicitar junto ao órgão regulador a classificação como “Qualified User” e, caso tenha demanda contratada entre 1,0 MW e 5,0 MW, poderá negociar sua energia diretamente com um fornecedor de energia no mercado. Caso tenha demanda contratada acima de 5,0 MW, o consumidor poderá participar diretamente como agente e comercializar energia com diversos fornecedores, o que pode trazer um benefício financeiro extremamente importante se comparado com as atuais tarifas no Mercado Regulado. Nesse caso é de suma importância estar muito bem assessorado, uma vez que o mercado de energia elétrica no México está distribuído em mais de 2.000 nós, sendo assim, a análise para essa mudança tem que ser muito criteriosa.

Portanto, por conta das mudanças regulatórias que estão ocorrendo no México, caso sua empresa possua unidades nesse país, saiba que, pelo menos, no que tange ao ramo de energia, tanto gás natural como energia elétrica, existem oportunidades para ganhos financeiros expressivos por meio de livres negociações no mercado de energia.